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Jucilene Marques Garcez Pires


Jucilene Marques Garcez Pires, nascida em 12 de junho de 1966 no povoado de Mesquita, comunidade remanescente de quilombo, município da Cidade Ocidental-GO veio aos 7 anos de idade morar no Gama-DF, acompanhando o pai que trabalhava na construção de Brasília. Além de Jucilene a família de 5 irmãos que se estabeleceu na Ceilândia produziu mais 3 esportistas, Jamir, Geni e Marcos Garcez. Em 1980, aos 13 anos de idade, após assistir na TV um anúncio com João do “Pulo” divulgando uma competição de atletismo chamada “Pentatlo Nacional de Atletismo” promovido por uma indústria de refrigerantes, foi escondida com a equipe do Centro Educacional no 4 da Ceilândia-DF para o evento, no intuito de conhecer o recordista mundial do salto triplo, mas chegando lá fez a própria inscrição no evento. Neste primeiro contato com a modalidade já estabeleceu um novo recorde brasiliense para os 100 metros na categoria. Entre uma etapa e outra ela começou a fazer os seus primeiros treinamentos sob a orientação do professor Wilson Laskewick na escola onde estudava. O início vitorioso não parou por aí. Vencendo também a etapa de CuiabáMT foi classificada para a etapa final da competição no Rio de Janeiro, ocasião em que conquistou a terceira colocação.

Em 1981 foi vice-campeã nas provas de 200 e 400 metros nos Jogos Estudantis Brasileiros – JEBs e, ao final deste mesmo ano, transferiu-se para treinar no Centro Interescolar de Educação FísicaCIEF a fim de integrar o PROLIMP (Projeto Olimpíada). Nessa nova fase foi orientada pelo prof. Feijão. Em 1982, na V Gymnasiade-Jogos Mundiais Escolares, em Lille na França, conquistou a medalha de bronze na prova dos 400 metros rasos. Agora, sob os olhos atentos de sua treinadora a profa Maria Terezinha Tofoli, a Téia, Jucilene foi campeã brasileira nas categorias menor, juvenil e adulta.

Dona de um talento incrível Jucilene era uma atleta a frente de seu tempo, quando menor, competia também na categoria juvenil, quando juvenil, competia com os adultos. Por não haver competidoras há altura para enfrentá-la no DF, por vezes a profa. Teia a colocava para competir nas provas masculinas.

Com apenas 17 anos, durante o Campeonato Sul Americano Juvenil em Medellín, na Colômbia estabeleceu o recorde sul americano dos 400 m rasos com a marca de 54.6s e recebeu o prêmio de melhor atleta feminina da competição. Ainda, no mesmo ano, ela superou seu próprio recorde após vencer o Campeonato Brasileiro Adulto com a incrível marca de 53.7s, recorde da categoria juvenil que perdurou por 26 anos para ser quebrado no Brasil.

Em 26 de abril de 1983, como prêmio por sua dedicação, o Governo do Distrito Federal condecorou a atleta com a comenda “ Mérito Brasília”, grau de Cavaleiro, onde entre as 103 personalidades civis e militares, juntamente com outra atleta, foram os únicos adolescentes agraciados na solenidade.

Em 1984 Jucilene se afastou das pistas por aproximadamente 4 anos, devido a uma estafa, retornando em 1988. Ela competiu até o ano de 1993 pelo Clube de atletismo de Araçatuba-SP, conseguindo, como sempre, excelentes resultados em nível brasileiro e sul-americano.

Suas melhores marcas foram de 22.7s nos 200m rasos e 52.39s nos 400 metros rasos. Essa última, alcançada durante o III G.P. Brasil de Atletismo, foi 19 centésimos acima do índice necessário para participar dos Jogos Olímpicos de Barcelona 1992.

Ela tinha uma facilidade para correr que impressionava a todos pela a sua força, velocidade e técnica, dando a impressão que corria sem fazer força. Era bonito de ser ver.

Jucilene fala sobre o atletismo: “Para mim o atletismo foi tudo, oportuniza a que você comece a se gostar mais, a se preservar mais, a ter boas amizades. E tive a felicidade de ter recebido a orientação dos profs. Teia, Feijão e Mingo que além de ser técnicos eram orientadores, para que além de atletas, aviéssemos a ser cidadãos para a vida. ”

Jucilene entrou para a Policia Militar do DF no ano de 1990 como soldado e após aprovação em concursos para a corporação em 1994 ingressou como cadete para o curso de oficiais da PMDF. Atualmente a Tenente Coronel Jucilene é a Comandante do Batalhão Escolar. Multiplicando com dedicação toda sua experiência de vida, foi premiada pelos seus projetos esportivos/sociais dentro da corporação.

Jucilene é casada e tem um filho Jorge Miguel, uma joia rara como atleta, uma referência de superação e cidadania. Parabéns pela sua carreira atlética e um exemplo de cidadã.

Um orgulho para Brasília.


Texto: Francisco Xavier e Joilto Bomfim.


Depoimentos sobre Jucilene:

Prof. Luiz Antônio Vitelli: “Quanto merecimento tem Jucilene Garcez por esta homenagem... que pessoa fantástica! Aliás, é impossível lembrar da Jucilene e esquecer Jamir, Geni e Marquinhos. Que família! Parabéns Jucilene pelo muito que fez pelo atletismo do DF e pela bela trajetória de vida. Que Deus continue te abençoando. Você e toda a família merecem. Seja muito feliz! “


Solange Munoz: “Essa é uma das melhores pessoas que o atletismo me fez conhecer e admirar. Como atleta, pessoa, profissional todas as boas qualidades que penso ter me espelho nela...muito bom conviver, treinar e viajar com você Ju obrigada, obrigada e muito obrigada por tudo!!!”


Carmem de Oliveira: “Que bela homenagem a essa mulher! Uma família muito especial de ATLETA mais essa era fera. Parabéns! ”






CURRICULUM ESPORTIVO ( Fonte CBAt)








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