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Carmem de Oliveira


Filha de pais nordestinos, a brasiliense Carmem de Oliveira nasceu em 17 de agosto de 1965, em Sobradinho (DF). Sua descoberta, quando já tinha 17 anos e já era mãe de Cristiane, foi numa competição escolar, feita pelo professor de Educação Física, João Sena. Carmem tinha o perfil ideal para provas de longa distância: 1,60m e 46kg, com um detalhe: corria muito. No início, Carmem enfrentou a resistência da família, pobre, que precisava de mão-de-obra para ajudar no sustento da casa em vez de ter uma atleta corredora. Mas os primeiros resultados mostraram o seu potencial para se profissionalizar no atletismo e fazer disso uma forma de trabalho, sendo remunerada pelos prêmios e cachês que passou a receber ao longo da carreira. “Prometi à família de Carmem que em seis meses ela seria uma campeã, a maior corredora do Brasil”, relembra Sena, sobre quando foi pedir autorização para que Carmem se tornasse atleta. “Mas isso dá dinheiro?” – indagou a corredora, sem saber nada sobre o mundo em que estreava. Ironicamente, o primeiro patrocínio veio quando Carmem estava em desespero. Depois de um treino, ela lavou o tênis e o colocou para secar. Só não contava que um ladrão passasse por sua janela e tirasse o seu principal acessório de competidora. Desesperada, foi para a televisão pedir socorro, pois tinha uma corrida dois dias depois e não poderia faltar. Ao assistir ao programa de TV, a esposa de um diretor da Fundação Banco do Brasil ficou penalizada com aquela história. Ligou logo para o marido, narrou o que ouvira e implorou para que ele ajudasse a corredora que aparecera chorando no vídeo. O dirigente não teve dúvidas: chamou João Sena ao seu gabinete e pediu um projeto para que a Fundação Banco do Brasil patrocinasse a sua atleta. A parceria foi formada e a vida de atleta começou a melhorar. Já era possível ter mais de um par de tênis, suplementos e vitaminas adequadas, enfim. Os resultados vieram, e de forma tão expressiva que o próprio Banco do Brasil se interessou pela corredora. Novo contrato, dessa vez mais valorizado, pois os recordes de Carmem contribuíam para isso. Além do que, a fundista era extremamente disciplinada, a cada final de prova recebia de sua assessoria, na chegada, o boné do Banco do Brasil que garantiam visibilidade à marca nas reportagens produzidas a partir daqueles resultados. Assim, mesclando provas de pista com as de rua, Carmem foi conquistando marcas nacionais e sul-americanas nos 5km, 10km, 15km, 21km e maratona. Os recordes que batia a colocavam como a principal atleta do fundo e meio-fundo brasileiros. Nesse embalo, acabou se mudando para os Estados Unidos, lá, treinou com o técnico Brian Appel, em 1994, quando Carmem disputou a tradicional Maratona de Boston, a mais antiga do mundo. Ao final dos 42,195km Carmem registrou 2,27min49, tornando-se a primeira mulher sul-americana a correr a maratona em menos de duas horas e meia, de quebra, essa marca a colocou como recordista sulamericana da distância por mais de vinte anos. No ano seguinte, mais dois prêmios de nível internacional para a brasiliense. Em abril, ganhou a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Mar del Plata, nos 10.000m em pista. E, no último dia do ano, depois de três segundos lugares, Carmem conquistou, enfim, a Corrida Internacional de São Silvestre, competição que encerra o ano esportivo nas ruas de São Paulo. Mais um registro histórico, pois Carmem de Oliveira foi a primeira brasileira a vencer a prova feminina. Ela também participou de duas Olimpíadas, a de Barcelona (1992) e a de Atlanta (1996). Quando encerrou carreira, em 1999, Carmem em 2007 estreou como dirigente. Foi presidente da Federação de Atletismo do Distrito Federal e, no discurso de posse, foi enfática, cobrando uma mudança de posicionamento nas ações dos políticos locais: “O esporte também passa por aqui (Câmara Legislativa), onde os senhores fazem as leis. Mas nós, dirigentes, não podemos ficar na dependência das cores políticas e partidárias para a votação e liberação de verbas ou fixação de políticas do esporte”, protestou Carmem em sua estreia pública como cartola. Com esse desempenho na pista e na vida pública, Carmem fez história no esporte sul-americano, podendo ser considerada a maior fundista brasileira de todos os tempos e inspiração para gerações de mulheres brasileiras. Texto: Jose Cruz e Francisco Xavier.




CURRICULUM ESPORTIVO ( Fonte CBAt)









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