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Caio Bonfim conquista inédita medalha na Copa do Mundo de Marcha Atlética

(Foto: Cbat)

O brasiliense Caio Bonfim escreveu mais um capítulo histórico para a marcha atlética nacional ao conquistar, no último domingo (12/04), a medalha de bronze na meia maratona do Mundial de Marcha Atlética por equipes Brasília 2026. O resultado representa a primeira medalha masculina do Brasil na história da competição. Até então, apenas a pernambucana Érica Sena havia alcançado o pódio em etapas da Copa do Mundo.

Desde o início, a prova foi marcada por forte ritmo. Caio esteve entre os protagonistas, ditando o andamento e alternando posições com atletas de alto nível, especialmente os japoneses, entre eles Toshikazu Yamanishi, atual recordista mundial da prova. Ao longo do percurso, o pelotão principal foi se definindo, sempre com o brasileiro entre os líderes.

As condições climáticas tiveram papel decisivo. O forte sol e o clima seco castigaram os competidores, provocando desgaste intenso e fazendo com que alguns dos favoritos, como os japoneses, perdessem rendimento ao longo da disputa. Ainda assim, Caio manteve-se firme entre os ponteiros.

Na penúltima volta, o atleta de Sobradinho assumiu a liderança, seguido pelo italiano Francesco Fortunato e pelo etíope Misgana Wakuma. Na volta final, Fortunato aumentou o ritmo e confirmou o ouro, enquanto o etíope Wakuma teve uma atuação espetacular com a melhor marca de sua vida para garantir a medalha de prata. Caio, já exausto, cruzou a linha de chegada na terceira colocação, assegurando o bronze histórico para o Brasil.

Após a prova, o brasileiro celebrou emocionado a conquista inédita.

“Eu brinco que completei meu álbum: já tinha medalha olímpica, de Mundial de Atletismo, e só faltava uma medalha do Mundial de Marcha. Eu queria voltar para casa com uma medalha, não importava qual. Medalha é medalha. E como eu lutei! Estou muito feliz, muito orgulhoso de ter conseguido”, afirmou.

Caio também destacou o peso emocional de competir em casa e a dificuldade da prova.

“Desde que Brasília foi anunciada como sede, a responsabilidade ficou grande. Foi a prova mais difícil da minha carreira, por causa desse lado emocional, de não querer decepcionar a torcida. A prova tem mais de 1h20, são 21 voltas. Parecia que a cada volta era um Mundial”, completou.

O atleta ainda exaltou a conquista inédita por equipes e ressaltou a evolução da marcha atlética brasileira ao longo das últimas décadas.

“Esse resultado é uma construção, a partir de passos que foram dados por muita gente”, lembrou Caio. “Em 1999, a delegação do Brasil era só minha mãe (a ex-marchadora e treinadora Gianetti Bonfim) e o Sérgio Galdino (brasileiro que disputou nove Mundiais de marcha). Eram só os dois, chegavam um dia antes da prova, e um dava a hidratação para o outro. Isso era o melhor que o Brasil podia fazer naquela época. Depois, a Érica quebrou paradigmas, levando o Brasil à primeira medalha de nível mundial que tivemos.”