Mulher de fases

Complicada e perfeitinha. Essa é a definição do famoso hit da banda Raimundos, Mulher de Fases, para o sexo feminino. A visão pode até soar machista se vista de forma generalizada, mas a verdade é que toda mulher tem lá seus momentos “complicados” e, claro, “perfeitinhos” durante a vida.

As fases da corrida, assim como as da vida, têm significados distintos para as mulheres. A prática do esporte é diferente para o corpo de uma adolescente, que está no auge da forma física, por exemplo, e para o corpo de uma mulher mais vivida, cujas necessidades e disponibilidades são outras.

Para as representantes da “melhor idade” a busca pela melhor eficiência física e qualidade de vida é a meta principal. Uma pesquisa publicada na revista científica Archives of Internal Medicine analisou 500 indivíduos com mais de 50 anos que praticavam corrida, em um período de 20 anos, e comparou a saúde e o bem-estar dos participantes com um grupo da mesma idade de não-corredores.

Com o término da observação, os cientistas identificaram que 34% dos idosos não-praticantes da atividade física haviam morrido, enquanto entre os corredores frequentes esse número era de apenas 15%. Esse resultado não surge por acaso. A prática de uma atividade aeróbica como a corrida traz inúmeros benefícios para o corpo, tanto do homem quanto da mulher, em todas as idades, como fala Silvia Lagrotta, médica especialista em medicina do exercício e do esporte da clínica CARDIOMEX.

 

“São inúmeros os benefícios da corrida. Os mais importantes estão relacionados a uma significativa redução da incidência de neoplasias ginecológicas, principalmente o câncer de mama primário e secundário. E uma diminuição do risco direto da mortalidade por eventos cardiovasculares como infarto e acidente vascular cerebral (derrame). Outros benefícios envolvem a melhoras de diversas condições clínicas como a TPM e a fibromialgia”, fala.

E se você acha que não está apta para praticar o esporte, se engana. A corrida é uma atividade que pode ser praticada por todas as mulheres. “Não há restrição relacionada à idade”, ressalta Páblius Staduto Braga da Silva, médico do Esporte de Fleury Medicina e Saúde. Porém, é importante que cada corredora respeite os limites de seu corpo e siga as orientações dos especialistas.

“O mais importante é respeitar os limites do corpo. As avaliações de saúde e física oferecem metas personalizadas para a prática de corrida. Manter-se no ritmo apropriado significa sucesso no desempenho e prevenção de lesões. Mulheres com mais idade não necessariamente terão treinos sempre mais leves, mas dentro do limite estabelecido para seu corpo pelas avaliações. Na adolescência, quando a energia disponível para ser gasta é muito maior, também devem ser respeitados os limites do corpo, pois as lesões podem aparecer da mesma forma. O que a adolescente tem é uma capacidade física de recuperação maior. Por isso o perigo do abuso”, completa Páblius.

Para cada idade, um benefício
É certo que, independente da sua idade, a prática da corrida lhe trará algum benefício. Contudo, especificamente em cada faixa etária, a atividade ajudará a mulher em algum aspecto principal.

Revista O2 por Fausto Fagioli Fonseca
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